Paraíso Tropical – Álbum Duplo Visual percorre períodos históricos sombrios da nossa sociedade como forma de refletir a formação da memória coletiva brasileira a partir da memória individual do artista. Uma série de 21 fotofilmes que compõe um longa-metragem sob a lógica estrutural de um LP (long-play) disco duplo musical (vinil) que articula arquivo, fotografia, memória, cinema experimental, reflexão historiográfica, crítica social e crítica política. Ao longo da série, que é dividida em quatro blocos conceituais, o corpo aparece como eixo estruturante da investigação. Corpo escravizado, migrante, institucionalizado, infantil, festivo, esportivo e político. Corpo sacrificado e corpo performativo. Corpo ausente e corpo celebrado.
A obra artística parte da hipótese de que o arquivo não é um lugar de repouso do passado, mas um campo de conflito no presente. E o que se busca é tensionar o arquivo, expor suas fissuras e reinscrevê-lo num campo sensível, onde tanto a imagem como principalmente o som – que determina o andamento dos filmes – possam operar como forças críticas e legitimar a memória. O arquivo aqui é a matéria bruta capaz de desestabilizar os acervos oficiais e resgatar o que neles foi soterrado pela desigualdade estrutural, preconceito racial, controle estatal, discriminação regional, arbitrariedade governamental, fetiche visual, violência de gênero e repressão ditatorial.
A divulgação do projeto ocorreu por meio de exibições, mostras, palestras e apresentações públicas com cobertura midiática, em destaque a pré-estreia e palestra no Teatro Central da Universidade de Franca - UNIFRAN, posteriormente no Teatro Mozart da FAMEF, matérias de imprensa sobre a pesquisa-criação (Rádio IVE; FAMEF; Franca 24 Horas; Notícias de Franca), além de entrevista aprofundada sobre o percurso do artista distante do Brasil e como transformar imagens em histórias no Zoom Podcast (assista aqui).
investiga o corpo capturado por regimes de violência estrutural – escravidão, migração, imigração, e apagamento institucional
desloca o olhar para pedagogias informais, afetos coletivos e práticas performativas: mesmo em festa, jogo ou aprendizagem, o corpo permanece atravessado por estruturas históricas
é onde tem início o aprofundamento da investigação artística pelo deslocamento dessa travessia física e do aprendizado afetivo, através de uma amplidão para o território da representação e da política; a identidade e o gênero tornam-se um processo instável entre a origem delas e a experiência de vida
permeia e atravessa a violência do regime militar imposto no Brasil, não só em relação ao corpo individual, mas sobretudo, ao corpo coletivo, que acentuam ainda mais as tensões entre símbolo nacional, memória traumática e política da imagem
as marcas deixadas e sua permanência na organização social, econômica e cultural do país
uma reflexão sobre desigualdades históricas e os mecanismos institucionais que contribuem para sua reprodução
deslocamentos, movimentação, apagamentos e reconstrução das identidades culturais
hierarquias sociais, as violências estruturais e dinâmicas de exclusão que incidem sobre corpos e identidades marginalizadas no tecido social
aborda práticas de vigilância e violência política presentes em contextos autoritários
os impactos do controle da informação, das limitações às liberdades civis e a repressão política sistemática dada aos dissidentes
organização de sindicatos, movimentos sociais, luta armada, manifestações culturais, protestos estudantis e religiosos como formas de enfrentamento diante das estruturas arbitrárias de poder
as transformações sociais impulsionadas pela participação das mulheres na luta por direitos, reconhecimento e igualdade
dois importantes elementos da cultura brasileira analisados como experiências de identidade, mobilização e construção simbólica